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Quem Somos
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As Igrejas Evangélicas Reformadas no Brasil

Introdução

As Igrejas Evangélicas Reformadas formam juntas uma denominação pequena no grande Brasil. São 7 igrejas locais com um número de membros de quase 2.500, dos quais uns 1.500 são membros professos.

A nossa realidade, de fato, não é marcada por números impressionantes e crescimento surpreendente. Somos pequenos. Mas também não queremos buscar a nossa força em nós mesmos. Pois a nossa força está no Senhor da Igreja: Jesus Cristo. Somente confiando-nos aos cuidados dele, as nossas igrejas terão futuro.

 Quem quiser nos conhecer, deverá participar da vida eclesiástica das nossas igrejas locais. Pois é ali que pulsa o coração da igreja.

Nos domingos reunimo-nos como igreja local para prestarmos culto ao Senhor. Nestes cultos podemos experimentar o milagre que o grande Deus se digna de encontrar-se com o seu povo. Ali ouvimos a proclamação da sua Palavra e celebramos os sacramentos. Ali cantamos em louvor a Deus. Ali oramos em favor dos nossos irmãos e irmãs e do mundo.

Durante a semana os jovens recebem instrução da Palavra de Deus nas aulas de catecismo. Nos clubes, nas reuniões de mulheres, nos grupos de estudo bíblico, jovens e adultos ocupam-se com a Palavra de Deus. Como nos cultos, eles aprendem, nestes encontros, mais sobre Deus, sobre eles mesmos e sobre a tarefa que têm, cada um no seu lugar, neste mundo. Os presbíteros, ao lado dos pastores, visitam os membros da igreja nas suas casas para apoiar a sua vida espiritual. Os diáconos se empenham para ajudar aqueles que precisam de apoio, especialmente na área de saúde e finanças. Vários irmãos e irmãs se dedicam ao trabalho de testemunhar da sua fé em palavra e ação dentro e fora da igreja.

É desta maneira que tentamos, localmente, realizar nos dias de hoje algo daquilo que caracterizava a primeira igreja: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações" (At. 2.42).

A nossa identidade

Entendemos que a identidade das nossas igrejas não é determinada por nós mesmos, mas que a recebemos principalmente de três fontes: em primeiro lugar da Palavra de Deus, em segundo lugar das nossas confissões e em terceiro lugar da nossa história.

A Palavra de Deus: guia fiel e autoridade final para a igreja

A Palavra de Deus, como a encontramos na Bíblia, é o guia fiel e a autoridade final para as nossas igrejas. O Espírito Santo, agindo através da Palavra de Deus, nos conquistou para a vida com Deus. Para vivermos seguros nesta nova vida com Deus, o Senhor nos acompanha com a sua Palavra. Somente ouvindo e obedecendo a sua voz estaremos seguros. Por isso não queremos, de forma alguma, seguir filosofias humanas, ou depender da sabedoria dos homens, quão entendidas e atraentes que sejam. Pois este caminho só nos levaria a nos afastar da graça de Deus.

Cremos e confessamos que a Bíblia foi inspirada por Deus. Com este termo da "inspiração" queremos dizer que os livros do Antigo e do Novo Testamento não são somente o resultado de palavras de homens, mas, de uma maneira maravilhosa, ao mesmo tempo também de Deus. Pela ação do Espírito Santo ouvimos nas palavras totalmente humanas da Bíblia a própria voz do Senhor. A confissão da inspiração da Escritura Sagrada é a manifestação do reconhecimento que somente entenderemos bem este conjunto de escritos, se nos dispusermos a ouvir falar o próprio Deus através dele.

Sabemos que a Bíblia se formou através de vários séculos. Muitas pessoas, de tempos e costumes diferentes que os nossos, participaram da elaboração da Bíblia. Quem não levar em conta esta realidade, somente prejudicará o entendimento da Bíblia para nós em nossos tempos. Mesmo assim continuamos falando da inspiração da Bíblia. Pois esta convicção poderá nos guardar do perigo de a Palavra de Deus, na sua explicação, ficar dominada por idéias e pensamentos humanos de uma certa época.

Quando falamos da inspiração, não queremos de forma alguma, atar Deus a um livro, como se nós pudéssemos nos apoderar dele. Ao contrário, a confissão da inspiração da Bíblia quer exprimir com limitadas palavras humanas algo do milagre que o Espírito Santo tem se apropriado de nós, através daquele livro singular do Antigo e do Novo Testamento.

As confissões: para ficarmos firmes na fé

Já desde os primeiros séculos da sua existência, a igreja de Cristo tem visto a necessidade de resumir a sua fé em confissões. Em geral pode-se dizer que há três objetivos com a elaboração das confissões: elas nos ajudam a esclarecer a nossa fé para o mundo afora, a passar está fé para as próximas gerações e a defendê-la contra doutrinas errôneas.

As Igrejas Evangélicas Reformadas reconhecem, juntos com a grande maioria das Igrejas Cristãs, os três "Credos Ecumênicos", a saber: o Credo Apostólico, o Credo de Nicéia(-Constantinopla) e o Credo Atanasiano. Além destes "credos", mantemos oficialmente as seguintes duas confissões Reformadas: a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg. Todas estas confissões oferecem um resumo daquilo que entendemos ser o essencial da fé cristã. Pois somos da opinião, que os autores destes escritos conseguiram formular neles de uma maneira curta, clara e equilibrada a mensagem central da Bíblia.

Talvez seja bom explicar por que enfatizamos tanto o valor de confissões, sendo que a mais nova já foi escrita há mais de 400 anos. Pois pode surgir a pergunta se, assim, não corremos o perigo de tornar-nos tradicionalistas, amarrados a antiquadas opiniões humanas em vez de sermos libertados pela viva voz do Evangelho. Não é melhor simplesmente ater-nos à Bíblia?

Evidentemente, as confissões mostram traços dos seus tempos de origem: em certos pontos a maneira de formular e o raciocínio por trás do escrito é diferente do que como nós o faríamos. Elas têm, como todos os escritos humanos, as suas limitações. Mas diante desta crítica devemos reconhecer francamente que nós também não temos a ciência infusa. Além disso, todas estas confissões foram escritas para explicar e defender o âmago da verdadeira fé cristã. É nisso que elas ainda sempre mostram o seu valor, pois continuam firmemente a preservar-nos de desviar do entendimento certo da Palavra de Deus – às vezes até graças às suas limitações! Por isso é um privilégio sermos guiados por estas confissões na explicação da Bíblia e na ênfase do que é fundamental para a fé cristã, mesmo que nós, aqui e ali, coloquemos um outro acento.

A nossa história

As Igrejas Evangélicas Reformadas mostram todos os traços de uma igreja "plantada", isto é: uma igreja que imigrantes trouxeram dos seus países de origem. Já desde o começo do século passado imigrantes holandeses têm-se fixado no Sul do Brasil. Na sua maioria estes holandeses vinham de igrejas que pertenciam, na Holanda, à ala reformada calvinista das igrejas Protestantes.

Obviamente, estes imigrantes trouxeram, com a mudança, também a sua "bagagem espiritual" da Holanda. Isto é uma das razões porque podemos apontar para várias correntes espirituais nas nossas igrejas, pois elas também são encontradas na variedade das igrejas reformadas na Holanda. Assim há uma corrente puritana com ênfase na prática da vida com Deus; uma corrente conservadora com ênfase na puridade da fé; uma corrente progressiva com ênfase na renovação da igreja e uma corrente pietista com ênfase no convívio pessoal com Deus.

Apesar destas diferentes ênfases na fé, as igrejas sempre têm se sentido um na mesma fé reformada. Vivia e vive entre nós a convicção de que precisamos uns dos outros e de que devemos lutar contra tendências separatistas.

Durante os anos as nossas igrejas têm vivido sob a influência da vida na sociedade brasileira. De um lado sentia-se a necessidade de se diferenciar, defendendo e guardando a cultura holandesa. De outro lado sabia-se da necessidade de uma adaptação à vida na sociedade brasileira. Assim estamos buscando na realidade brasileira – bastante mística e predominantemente católico-romana – uma identidade que une de uma maneira aceitável a "herança" holandesa com a cultura brasileira. Esta busca, para as nossas igrejas, é algo essencial para nosso ser igreja. Pois uma igreja que não tem contatos com a cultura em que vive, seguramente perderá a sua relevância. Futuras gerações não sentir-se-ão à vontade nela, muito menos pessoas de fora dessa igreja.

Procurando, assim, o nosso lugar e a nossa tarefa no Brasil, nos tornamos o que somos no momento: uma igreja de uns 2.500 membros com traços holandeses, mas com a vontade de ser 100% brasileira.

 

A vida eclesiástica

A organização das igrejas

Como já dissemos, é nas igrejas locais que pulsa o coração da nossa denominação. Esta afirmação exprime em palavras a convicção fundamental que as igrejas locais não são "filiais" de um corpo eclesiástico matriz, mas que elas, cada uma por si, são igrejas de Jesus Cristo. Este ponto de vista deve impedir que a organização eclesiástica venha a dominar as igrejas locais e, eventualmente, interferir na própria responsabilidade das mesmas diante do Senhor da Igreja. Por isso, como em todas as denominações de cunho reformado, o Conselho da igreja local é a assembléia suprema das igrejas. Pois cremos que Deus chamou os oficiais para, em primeiro lugar, pastorear e supervisionar as igrejas locais.

Duas vezes por ano, no entanto, as igrejas locais se reúnem através de seus deputados numa assembléia supra-local, que chamamos de Sínodo, para tratarem de assuntos relacionados com todas as igrejas e dos que não puderam ser resolvidos pelos Conselhos locais. Deve se pensar neste caso em assuntos como: missão em conjunto, formação teológica de futuros pastores, contatos com outras denominações eclesiásticas, elaboração de material para a educação cristã, reflexão sobre a identidade do conjunto das igrejas, hinário e formas para o culto e assim por diante.

Este sínodo é moderado por uma mesa de quatro pessoas eleitas entre os deputados credenciados. Entre as reuniões do sínodo a mesa se responsabiliza pela resolução dos casos pendentes ou imprevistos, sem que ela funciona como uma diretoria executiva permanente.. Na reunião do sínodo a mesa presta relatório das suas atividades.

A constituição

A vida eclesiástica é dirigida pela constituição das igrejas. Esta constituição objetiva que tudo seja feito com decência e ordem, conforme a instrução apostólica de Paulo (1 Coríntios 14.40). A constituição não aborda todos os detalhes da vida das igrejas, mas quer garantir que a Palavra de Deus seja proclamada a fim de que as pessoas venham a crer e viver fielmente diante da face do Senhor (Romanos 10.14-15). Os assuntos principais da constituição consistem de:

   1. Os ofícios na igreja

      Reconhecemos três ofícios especiais, o de Ministro da Palavra de Deus (o pastor), de Presbítero e de Diácono. A constituição aborda como deve funcionar a indicação e eleição destes oficiais e quais são as incumbências dos respectivos cargos.

   2. Os concílios da igreja

      Na atual situação conhecemos dois concílios, a saber o Conselho da igreja local e o Sínodo. São estes concílios que dirigem e supervisionam a vida da igreja. É oportuno mencionar que a autoridade dos mesmos não está baseada democraticamente na eleiçao pelos membros professos da igreja. A autoridade máxima da igreja está com Jesus Cristo, o Senhor da igreja. É Ele que governa a sua igreja através da sua Palavra e do seu Espírito. Nas suas resoluções, os concílios têm o dever de ouvir e seguir a vontade do Senhor e de ter como firme propósito a edificação da igreja.

   3. As tarefas da igreja

      A constituição menciona diretrizes gerais a respeito das tarefas básicas da igreja. Trata-se de assuntos como: a convocação de cultos, a direção dos cultos, a pregação da palavra, a celebração dos sacramentos do Santo Batismo e da Santa Ceia, o levantamento de ofertas, a tarefa missionária da igreja, a educação cristã.

   4. A disciplina na igreja

Um dos assuntos da constituição é o da disciplina na igreja. O próprio Senhor nos fala da necessidade e do objetivo desta disciplina (Mateus 16.15-18). Sempre deve ser levado em conta que a disciplina tem um caráter espiritual. Além disso, ela deve ser executada com o maior cuidado pastoral, pois o objetivo da disciplina cristã não é castigar, mas admoestar para que o membro desviado se arrependa e seja reconciliado com Deus e com o próximo.

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